quarta-feira, 21 de abril de 2010

Nadazul

Fechou os olhos e deixou a mente abrir. De repente viu o céu colorir, a paleta preferida do além. Azul, roxo, vermelho. Laranja pras nuvens, rosa claro pro reflexo na pele. Ergueu os braços, esticou os dedos pra tocar as estrelas. Num susto, Halley passou veloz.
Segurou firme na cauda de fogo e pegou carona até Vênus. Sorriu pros ventos azuis, jurou vê-los retribuir. Mergulhou no mar de turquesa, e parecia mais que voar. Descobriu peixe-espelho e riu do reflexo brilhante. Tinha diamentes na pele! Imaginou como seriam as filhas das ostras: pérolas anil?
Se quer sentiu o frio quando emergiu da água seca, que já agarrou o cometa na volta. O vento galáxico secou seu cabelo. fez cósegas atrás da orelha. Seu riso causou uma avalanche de constelações, e as estrelas cadentes cortaram sua pele de leve. Sangrou mar.
Ao longe viu asas serelepes, chamavam pra dançar logo quando tinha que descer. Nah, fada fica pra outra vez.
Acordou tímida com o beijo do calor. Esqueceu de Vênus, mas cumprimentou o Sol com sorriso de diamantes.
Num segundo, mais nada, quando outrora, outro mundo.

segunda-feira, 8 de março de 2010

O beijo

Segurou com força nos braços do vento. Temia escorregar no tempo e perder o pôr do sol escarlate que abria o caminho pra Lua.
A viu sorrir quando sem querer (querendo), seu príncipe de fogo beijou a terra ao mesmo tempo que ela.
O suspiro da Noite fez seu corpo estremecer, mas os frio trouxe o calor que sempre esperava ao ver a primeira estrela. Já o vento trouxe os uivos da escuridão, mas nenhum dos dois tinha medo.
Só mais algumas horas pro dia sorrir de novo.

domingo, 7 de março de 2010

Borboletas

As borboletas brincaram por sua pele quando viram o sorriso de amor. Presentearam-na com o colorido de suas asas e voaram contentes, deixando todo o brilho que puderam com ela.
Foram embora, mas ela ainda podia senti-las. Sorriu de novo, por fora e por dentro.
Fechava os olhos e podia sentir os pés melados de açúcar. São de algodão doce, afinal! Seu corpo todo sorria.
Deu as mãos ao tempo, e permitiu que ele a levasse. Não sentiu o vento. Sabia que seria devagar, no tempo do tempo, quando se espera por algo. Não se importou, segurou firme mesmo assim. Quando chegasse a hora, o frio cortaria seu rosto, porque ela não estaria mais sozinha.
Abria os olhos e via o azul engolir seus pensamentos. De certo eram doces como as nuvens.
E as borboletas vão voltar, até que ele chegue e se ocupe de fazê-la brilhar.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Obesession

Fechou os olhos e deixou o coração acompanhar o pulsar das seis cordas. Com os indicadores fez a percussão perfeita, surrando o ar, fazendo-o gritar, selvagem, de emoção. Sua mente não quis mais ordem, e girou no ar os neurônios cansados, centrifugando as idéias, chacoalhando a doce inocência. Nos lábios a vontade do beijo, na garganta a súplica contínua por mais voz.
E o mundo inteiro pareceu gritar em seus ouvidos, o zumbido arrepiou seu corpo. Deixou que a tocassem, e voou mais uma vez, sem nunca terem lhe ensinado como se fazer.
Rugiu com o prazer, e o vício já corria pelas veias, marcando o passo no peito, escrevendo as notas com o olhar.
Ela fala sobre drogas, e usa o rock 'n roll.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Balé do Sol

Saiu, descalça, sentindo entre os dedos o chão gelado. Olhou pra cima e sorriu ao ver sua paleta de cores preferida. Azul, branco, amarelo, rosa, laranja. E os pássaros riscavam o céu como lápis esboçando na tela.
Respirou fundo. Cheirinho de chuva misturado ao da manhã. Era sua hora preferida do dia, a mais fria, a mais viva.
Desejava ter bons ouvidos pra contar quantas pessoas ainda dormiam em suas camas.
Sorriu mais uma vez, e o Sol viu. Tocou seu rosto gelado, convidando-a para dançar. E ao som do nascente, ela dançou com as cores do céu.

Labirinto

E de repente quis voltar. Num susto quis crescer.
Beijou as sardas, sorriu, foi beijada, e brilhou com as fadas uma última vez. Quis chorar, mas quis mais ainda se arrepender. Guardou o beijo no bolso, depois no fundo do peito. Não se arrependeu.
Então ele, seu primeiro amor, desenhou no céu o caminho pra casa. E ela seguiu as estrelas, sem olhar pra trás, sem pensar nas sereias, muito menos nos piratas.
Só chorou ao sentir o tempo por perto. E chorou de novo ao sentir algo maior do que o tempo, quando voou sem mágica. Quando o dedal se tornou calor de verdade, e o beijo deixou de ser dedal.
Nunca mais quis voltar, mas sabia de cor o nome das estrelas.

* Super sugiro ler isso escutando Unintended, do Muse. Emociona, haha.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Quistar

Apagou as luzes e sorriu para o céu. Deitou-se sobre as pedrinhas pontudas, assistindo a aranha flutuar entre as folhas de bambu, até o vento soprar e as teias doces refletirem o brilhar da noite.
Num pulsar, sua mente só queria os rabiscos do corpo, o sorriso de prata, os olhos cativos, ou os lábios frios. N'outro pulsar, queria todos juntos. E de repente sentiu o coração rápido, gritando pelo conjunto e chorando pela distância.
Seus olhos varreram o céu respingado de brilhantes, e a estrela os escolheu. Fisgou as íris castanhas, cantou para elas. Soprou a benção e beijou os lábios quentes, roubando-lhes o calor.
E a estrela selou o pacto, brilhando mais forte. Teria dois pares de olhos pra fisgar, e dois pares de lábios pra juntar.